Como lidar com a ansiedade de ter um filho na UTI? Psicanalista comenta caso de Maíra Cardi: ‘Autorregulação emocional’ – CARAS Brasil

Maíra Cardi e Thiago Nigro enfrentaram momentos delicados após a filha, Eloáh, ser internada na UTI neonatal; psicanalista explica como lidar com a ansiedade nessa situação

Como lidar com a ans

Eloáh, filha recém-nascida de Maíra Cardi e Thiago Nigro, precisou ser internada na UTI neonatal logo após o parto. A bebê foi hospitalizada para receber auxílio na respiração.

Felizmente, a neném saiu da UTI. Na manhã dessa segunda-feira, 27 de outubro, Thiago usou as redes sociais para compartilhar com os seus seguidores que a pequena recebeu alta e já está no quarto da maternidade junto com os pais. Em seu perfil oficial, ele compartilhou a primeira foto da bebê no berço hospitalar com o enxoval personalizado: “Olha quem chegou! Saudável! E abençoada!“, escreveu Nigro na legenda da imagem, sem revelar o rostinho de Eloáh.

Como lidar com a ansiedade de ter um filho na UTI?

Entendemos que o momento foi (e ainda está sendo) delicado para Maíra Cardi e Thiago Nigro. Por isso, a CARAS Brasil consultou a psicóloga e psicanalista Fabiana Guntovitch, que deu dicas de como lidar com a ansiedade e o sentimento de impotência quando o bebê precisa ficar na UTI logo após o nascimento.

“Poucas experiências despertam tanta vulnerabilidade quanto ver um bebê, recém-nascido, ligado a aparelhos, longe do colo dos pais. A sensação é de impotência, medo e culpa — emoções legítimas que surgem quando a realidade foge completamente da experiência idealizada.”

A especialista explicou que, sob a ótica da psicanálise, essa vivência toca um nível muito primitivo da mente. Fabiana cita a psicanalista austríaca Melanie Klein, que descreveu como o amor e a angústia convivem desde os primeiros vínculos da vida.

“Quando a mãe ou o pai são separados do bebê logo após o parto, ativa-se uma ‘ansiedade de perda e desamparo’, acompanhada por fantasias inconscientes de ‘ter falhado’ em protegê-lo. Essas emoções, se negadas, tendem a se transformar em culpa ou em um sentimento de vazio. Por isso, o primeiro passo é aceitar o que está acontecendo.”

Fabiana esclareceu que essa aceitação não significa concordar ou gostar da situação, mas reconhecer que ela é real e que deve ser enfrentada. Ela deu dicas de o que fazer nessas situações: “Respirar conscientemente, buscar apoio de profissionais e de pessoas próximas e se permitir chorar são formas de autorregulação emocional que ajudam a sustentar a espera com menos sofrimento.”

Como os pais devem manter o equilíbrio emocional?

Cada um vive o luto e a ansiedade de maneira diferente, isso é fato e o apoio precisa ser individualizado. Porém, a psicóloga deixou claro que o casal precisa compreender que a dor compartilhada se torna mais suportável.

“A comunicação aberta, o acolhimento mútuo e o respeito pelas diferenças emocionais são fundamentais. Práticas como pausar para respirar antes de reagir, validar o sentimento do outro sem tentar resolver ou minimizar, e lembrar que ambos estão fazendo o melhor que podem, ajudam a manter o vínculo do casal mais estável.”

“É importante ressaltar que é exatamente nos momentos de crise que se manifesta a maior capacidade de reparação e de amor maduro: transformar a dor em conexão, o medo em cuidado e a fragilidade em união. Em última instância, aceitar o que não se pode controlar e concentrar energia no que é possível — como estar presente, demonstrar amor e confiar no processo — é o caminho mais saudável para atravessar esse período e fortalecer a família.”

Fabiana Guntovitch é psicóloga (CRP: 06/215789) e psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano. Um de seus propósitos enquanto profissional é quebrar preconceitos acerca da saúde mental e ajudar pessoas a se relacionarem melhor consigo mesmas e com as pessoas que mais importam em suas vidas.

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