Na última quarta-feira (30), o cantor gospel João Igor foi baleado na perna durante uma ocorrência policial dentro do Terminal Rodoviário Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. Ele ficou internado em um hospital de São Paulo para tratar da lesão e já está em casa para se recuperar.
João Igor é pai de dois filhos e possui parceria com artistas gospel e do funk, como Mc Daniel. O cantor viralizou na internet após aparecer em um vídeo com a influenciadora digital Fernanda Ganzarolli. Na saída do centro médico, ele gravou um vídeo aos seus seguidores.
“Quero agradecer ao hospital, que deu atenção para mim. Já agradeci a Deus e é isso. Amanhã eu vou estar me pronunciando e falando o que aconteceu”, disse o cantor. “Agora, vou descansar com a minha família. Muito obrigado pelas orações e por vocês que vieram aqui para brigar essa luta comigo. Para quem me conhece sabe que nós somos ‘pureza’. A inveja existe, mas Deus é mais, vambora. Está tudo bem. Agradeço o carinho de todos e as orações que pedi a todos vocês”.
Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch fala sobre o possível impacto de um evento traumático na saúde mental do cantor, o processo de recuperação e o efeito da fama em um momento de psicológico fragilizado.
“Nos primeiros dias após um trauma tão brutal, o psiquismo entra num estado de alerta e defesa. Há uma espécie de anestesia emocional inicial, como se a mente dissesse: ‘isso não pode ter acontecido’”, explica a psicanalista. “É comum que a vítima oscile entre momentos de apatia, hipervigilância, medo intenso, confusão ou até mesmo uma aparente ‘normalidade’. Tudo isso é parte de um esforço psíquico para tentar dar conta da violência sofrida.”
A experiência de um trauma em um lugar antes considerado seguro para a pessoa, pode causar uma ruptura no sentimento de previsibilidade e segurança gerando resistência ou fobias já que aquele ambiente passa a ser associado ao perigo: “O ônibus, que antes era rotineiro, pode se tornar símbolo do trauma, o que, caso aconteça, exigirá tempo e trabalho psicológico para ressignificar”, afirma Fabiana.
Ainda segundo a especialista, existe o risco de Estresse Pós-Traumático e o acompanhamento psicológico deve ocorrer desde o início para prevenção e cuidado. No caso de João Igor, que teve grande repercussão, a exposição na mídia pode gerar apoio público e solidariedade, mas também pode dificultar o silêncio necessário para que o sujeito elabore o trauma no seu próprio ritmo.
“Quando se é constantemente lembrado do ocorrido por mensagens, notícias ou entrevistas, o psiquismo pode não conseguir ter os respiros necessários ao processo de cura”, explica a psicanalista.
O afeto e a escuta de amigos e familiares pode tornar o processo em algo mais fácil, já que eles validam a dor da vítima, diminuem o sentimento de solidão psíquica e restauram, pouco a pouco, o senso de pertencimento e segurança. O trauma leva ao isolamento, enquanto os vínculos reconstroem e ter ao lado pessoas que não forçam respostas nem minimizam o sofrimento é essencial para a reorganização emocional.
Para João Igor, que é cantor, a música pode ser essencial no processo de cura: “A arte é um território simbólico, e o trauma é uma violência que busca elaboração e ressignificação”, conclui a especialista. “Ao transformar dor em som, palavras ou imagem, o indivíduo encontra uma via de expressão que pode ser reparadora. Para alguém como João, a música pode ser seu próprio idioma de cura e uma forma de transformar o grito em melodia e dar forma ao indizível”.
CONFIRA PUBLICAÇÃO RECENTE DO CANTOR JOÃO IGOR NO INSTAGRAM:
Leia também: Cantor gospel João Igor é baleado no Terminal Barra Funda, em São Paulo



