Cantora britânica, Jessie J (37) revelou ter passado por uma crise de pânico após receber o diagnóstico de câncer de mama em estágio inicial.
A artista anunciou a doença no início do mês, e ressaltou que o dia em que sofreu a crise foi o pior até o momento.
Para entender melhor sobre os impactos da descoberta de um câncer para a saúde mental de pacientes como Jessie J, a CARAS Brasil conversou com a psicóloga e psicanalista Fabiana Guntovitch, especialista em comportamento. Guntovitch explica que o contato com a finitude, ou a possibilidade real da morte, desarma e esvazia as certezas dos pacientes e de sua família. Apesar dos avanços na medicina e os tratamentos disponíveis, como quimioterapia, exames e procedimentos, é comum que haja medo, dúvidas e complicações para a saúde mental. “[A mente] precisa de outras formas de cuidado: escuta, presença e sentido. Nossos recursos psíquicos para lidar com o fim ainda são escassos, e por isso o coletivo torna-se essencial.
Precisamos de mãos que nos sustentem, palavras que nos abracem, fé —seja em algo maior ou na própria vida— e esperança para continuar. É nesse amparo humano e simbólico que muitos encontram força para seguir, mesmo em meio ao caos.”
A psicóloga afirma que, ao receber o diagnóstico de um câncer, é comum que os pacientes enfrentem um abalo existencial. “O paciente entra em contato com o medo da morte, com a perda do controle sobre o próprio corpo e com a ruptura do que antes era considerado ‘normal’.” O abalo pode se estender para a família também. “Para a família, o impacto também é grande —não só pela dor de ver alguém amado sofrer, mas porque todos, de alguma forma, entram em luto pelo futuro imaginado e passam a lidar com a incerteza. É um momento em que o suporte emocional torna-se tão essencial quanto o tratamento físico.”



