Especialista alerta riscos de famosos ‘adotarem’ bebês reborn: ‘Sofrimento’

Febre dos bebês reborn virou assunto no país; à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch comenta comportamento de influenciadores sobre o tema Na última semana, a busca pelo termo “bebê reborn” ultrapassou a procura pelos nomes de Neymar (33) e Virginia Fonseca (26) no Google. A febre também chegou para os famosos —Xuxa (62), Gracyanne Barbosa (41) e Nicole Bahls (39) “adotaram” bonecas realistas,…

Febre dos bebês reborn virou assunto no país; à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch comenta comportamento de influenciadores sobre o tema

Especialista alerta riscos de famosos 'adotarem' bebês reborn: 'Sofrimento'

Na última semana, a busca pelo termo “bebê reborn” ultrapassou a procura pelos nomes de Neymar (33) e Virginia Fonseca (26) no Google. A febre também chegou para os famosos —Xuxa (62), Gracyanne Barbosa (41) e Nicole Bahls (39) “adotaram” bonecas realistas, por exemplo. A apresentadora Luciana Gimenez (55), simulou até um parto reborn no programa Superpop (RedeTV!).

Apesar de parecer inofensivo, o ato pode trazer riscos para pessoas que lidam com questões sensíveis. Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch diz que é essencial falar sobre bebês reborn com cuidado. “Precisamos conversar sobre isso com cuidado, empatia e informação, para que boas intenções não resultem em distorções perigosas.”

Esse fenômeno tem tomado proporções que nos chamam cada vez mais atenção. Quando alguem usa isso para ‘lacrar’ não percebe que pode estimular uma pessoa já em sofrimento a normalizar a desconexão com o real. A conversa é necessária para trazer clareza sobre esses aspectos e ajuda a promover mais empatia, compreensão e responsabilidade coletiva.”

A psicanalista diz que há uma diferença entre tratar as bonecas como hobbie ou brincadeira, e viver a fantasia da infância como se fosse real. Por isso, é importante refletir sobre o impacto das ações das celebridades e influenciadores.

Quando essas figuras tratam objetos como filhos ou simulam processos afetivos profundos com bonecos, correm o risco de reforçar mecanismos de substituição psíquica, que podem ser prejudiciais em determinados contextos“, acrescenta.

Ao espelhar temas como adoção, afeto, carências afetivas e, até mesmo, inclusão, o tema cria um descolamento simbólico e gera um desconforto social. Guntovitch diz que ainda há o risco de estimular fantasias ou substituições simbólicas fora do contexto terapêutico, como se relações com objetos pudessem suprir vínculos humanos reais.

Esse tema aborda questões sensíveis e complexas como a carência afetiva, apego, solidão, dificuldade de lidar com frustrações, de assumir responsabilidades, passando pelos limites entre fantasia e realidade, especialmente quando falamos das mídias sociais e seus mega-influenciadores, que como o nome mesmo já diz, influenciam, e são espelhos para a conduta privada de quem os acompanha.” 

A especialista também ressalta a importância de criar e estimular vínculos reais. “Precisamos estimular vínculos reais e a valorização da adoção das milhares de crianças e bebês que estão ávidas por pais e mães amorosos, abandonadas nos serviços sociais de acolhimento da infancia e adolescência.”

Fabiana Guntovitch é psicóloga (CRP: 06/215789) e psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano. Um de seus propósitos enquanto profissional é quebrar preconceitos acerca da saúde mental e ajudar pessoas a se relacionarem melhor consigo mesmas e com as pessoas que mais importam em suas vidas.

Descubra mais sobre Fabiana Guntovitch - Psicóloga e Psicanalista - Vila Olímpia - São Paulo

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