Bebê reborn: Especialista alerta sobre uso de termos em relação as bonecas

Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch explica como criação de ‘vínculos’ com bebê reborn pode ser prejudicial Não é segredo que os bebês reborn, bonecas realistas, se tornaram uma verdadeira febre nas últimas semanas. É comum ver influenciadores, celebridades e internautas usando termos como “adoção” e “maternidade“, ou até se referindo como…

Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch explica como criação de ‘vínculos’ com bebê reborn pode ser prejudicial

Bebê reborn: Especialista alerta sobre uso de termos em relação as bonecas

Não é segredo que os bebês reborn, bonecas realistas, se tornaram uma verdadeira febre nas últimas semanas. É comum ver influenciadores, celebridades e internautas usando termos como “adoção” e “maternidade“, ou até se referindo como pais dos bonecos, nas redes sociais —e isso acende um importante alerta.

Em entrevista à CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch aponta que usar termos afetivos para um bebê reborn pode gerar efeitos nas relações com as bonecas. “A forma como nomeamos uma relação molda a maneira como a vivenciamos.”

Quando alguém se refere a uma boneca como filha e a si como pai ou mãe e se comporta como tal, cria-se um vínculo simbólico que imita, mas não substitui a complexidade dos vínculos reais“, completa a especialista.

Guntovitch diz que, em contextos terapêuticos esse tipo de vínculo pode ser um recurso simbólico útil. “Por exemplo, no enfrentamento de perdas ou traumas. [Mas], fora desse contexto, a repetição dessa lógica pode alimentar uma conexão imaginária que dificulta o contato com a realidade, principalmente se houver sofrimento psíquico envolvido.”

A psicanalista afirma que os influenciadores e celebridades precisam tomar cuidado ao falar sobre esse tipo de relação. Nomes como Xuxa (62), Gracyanne Barbosa (41) e Nicole Bahls (39) “adotaram” as bonecas realistas, por exemplo. A apresentadora Luciana Gimenez (55), simulou até um parto reborn no programa Superpop (RedeTV!).

Por esse motivo, é importante que as figuras públicas que possuem um bebê reborn tenham cuidado ao legitimar esse tipo de relação como algo equivalente à parentalidade real. A romantização ou idealização dessas experiências pode dificultar o entendimento e a clareza necessária para que quem está em sofrimento possa buscar ajuda profissional“, afirma.

Fabiana Guntovitch é psicóloga (CRP: 06/215789) e psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano. Um de seus propósitos enquanto profissional é quebrar preconceitos acerca da saúde mental e ajudar pessoas a se relacionarem melhor consigo mesmas e com as pessoas que mais importam em suas vidas.

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