Mães são invisíveis? Psicanalista avalia caso de Samara Felippo: ‘Humanidade esquecida’

A psicanalista Fabiana Guntovitch analisa desabafo de Samara Felippo sobre solidão materna e defende de onde nasce esse sentimento; confira Samara Felippo publicou algumas selfies com as filhas, Alícia e Lara, de 15 e 11 anos, respectivamente, e fez um desabafo sobre a solidão materna. A postagem foi abraçada por diversas mães que compartilham do mesmo sentimento, mas o que faz essas…

A psicanalista Fabiana Guntovitch analisa desabafo de Samara Felippo sobre solidão materna e defende de onde nasce esse sentimento; confira


Mães são invisíveis? Psicanalista avalia caso de Samara Felippo: 'Humanidade esquecida'

Samara Felippo publicou algumas selfies com as filhas, Alícia e Lara, de 15 e 11 anos, respectivamente, e fez um desabafo sobre a solidão materna. A postagem foi abraçada por diversas mães que compartilham do mesmo sentimento, mas o que faz essas mulheres se sentirem invisíveis mesmo estando presentes na criação dos filhos?

Em conversa com a CARAS Brasil, a psicanalista Fabiana Guntovitch se aprofundou no assunto para entender o que está por trás dessa solidão materna, tão comum na rotina das mulheres na sociedade atual.

Por que é tão comum que as mães se sintam invisíveis?

A especialista analisa que as queixas das mulheres estão ligadas a desvalorização de um dos papéis mais importantes na vida de uma pessoa: ser mãe: “Elas estão sempre ali, cumprindo uma função que envolve milhares de pequenas tarefas, mas raramente são vistas.”

“O mais cruel é que seus sentimentos e necessidades são ignorados enquanto elas cuidam dos sentimentos de seus filhos e parceiros, atendendo às suas necessidades. As mães estão presentes em cada detalhe, mas ausentes do reconhecimento. É como se fossem o alicerce invisível que sustenta a família“, analisa Fabiana.

Assim como Samara, uma simples foto pode acender a insatisfação de mulheres na maternidade

A psicanalista garante que o desabafo de Samara diante das diversas selfies que tem com as filhas pode se tornar um gatilho para o sentimento de solidão materna.

“Quando a mãe nunca aparece nas fotos, é como se sua existência fosse apagada. Ela registra os momentos, mas não faz parte deles. Isso reforça a sensação de solidão e a ideia de que sua identidade se resume a cuidar dos outros”, declara.

Essa questão acontece por conta do esvaziamento das necessidades da mãe como pessoa e mulher diante da sociedade: “Ninguém tira foto do fotógrafo, ninguém cozinha para o cozinheiro e ninguém cuida do cuidador. Quando uma pessoa assume uma função e é reduzida à ela, acaba sendo esvaziada da necessidade a qual essa função atende.

“A problemática é que a maternidade não significa apenas uma função, mas uma infinidade delas. Quando a mãe é vista apenas como a cuidadora, sua humanidade é esquecida. Ela cuida de todos, mas ninguém cuida dela. A pergunta ‘quem cuida de quem cuida?’ precisa ser feita diariamente, não apenas em datas comemorativas”, analisa a especialista.

Como mudar e acolher mães no dia a dia?

Guntovitch ainda expõe o que deve ser feito para que essas mães sejam acolhidas e valorizadas em detalhes do dia a dia: “Primeiro, é olhar além do próprio umbigo e reconhecer com gratidão tudo o que essa mulher faz e o que ela representa na vida dessa família. Cuidar, orientar e todas as funções de gestar um filho desde o nascimento até a vida adulta é um privilégio, mas também um fardo que precisa ser compartilhado.”

“É importante ouvir, reconhecer e dividir as responsabilidades. Tirar uma foto dela com os filhos deveria ser o mínimo, mas a maioria das mulheres precisam pedir, às vezes até implorar, para que todos se juntem para uma foto. Perguntar como ela está, oferecer ajuda sem que ela precise pedir. Pequenos gestos que mostram: ‘Eu te vejo, você importa e sou grato por ter você na minha vida’”, finaliza a especialista.

Fabiana Guntovitch é psicóloga (CRP: 06/215789) e psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano. Um de seus propósitos enquanto profissional é quebrar preconceitos acerca da saúde mental e ajudar pessoas a se relacionarem melhor consigo mesmas e com as pessoas que mais importam em suas vidas.

Descubra mais sobre Fabiana Guntovitch - Psicóloga e Psicanalista - Vila Olímpia - São Paulo

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