BBB 25: Especialista aponta abuso de Maike com Renata: ‘Minimizar é violência’

A psicanalista Fabiana Guntovitch analisa comportamento de Maike com Renata no BBB 25 e revela os perigos por trás das atitudes consideradas abusivas. Durante a madrugada desta quinta-feira (10), uma cena no BBB 25 acendeu um alerta entre o público e virou assunto nas redes sociais. Enquanto curtia um cooler de bebidas ao lado dos participantes, Maiketeve atitudes…

A psicanalista Fabiana Guntovitch analisa comportamento de Maike com Renata no BBB 25 e revela os perigos por trás das atitudes consideradas abusivas.

BBB 25: Especialista aponta abuso de Maike com Renata: 'Minimizar é violência'

Durante a madrugada desta quinta-feira (10), uma cena no BBB 25 acendeu um alerta entre o público e virou assunto nas redes sociais. Enquanto curtia um cooler de bebidas ao lado dos participantes, Maiketeve atitudes com Renata que o público considerou abusivas. Ele mordeu e puxou o cabelo da sister, que demonstrou incômodo e a produção, inclusive, interveio com advertências. Mas afinal: o que explica esse tipo de comportamento?

A CARAS Brasil conversou com a psicanalista Fabiana Guntovitch, especialista em comportamento humano, para entender os sinais por trás das atitudes do brother no BBB 25  e se elas configuram abuso.

‘Minimizar o desconforto é uma forma de violência psicológica’

Segundo a psicanalista, o que vimos no vídeo de Maike com Renata levanta sinais claros de alerta. “Em um relacionamento, qualquer interação só é saudável quando é confortável para todos os envolvidos. No vídeo, claramente se observa que a Renata não estava confortável. Ainda que sua postura corporal não fosse suficiente, ela verbalizou seu desconforto pedindo para que o Maike parasse em mais de uma ocasião.”

Ela alerta que mascarar esse tipo de atitude como brincadeira agrava ainda mais a situação: “Minimizar o desconforto, ignorar um limite e relativizar a dor do outro é uma forma de violência psicológica. Quando a pessoa sofre o abuso e ele vem disfarçado de “piada”, ela passa a duvidar da própria percepção.”

Durante a festa, os participantes consumiram bebida alcoólica, o que, segundo Fabiana, pode potencializar comportamentos impulsivos e desrespeitosos: “O álcool tem a capacidade de desinibir e diminuir o controle dos impulsos. Isso pode tornar traços da personalidade mais visíveis, como agressividade ou dificuldade de respeitar limites.”

Mesmo assim, a profissional é categórica: o consumo não serve de justificativa. “O efeito do álcool não diminui a responsabilidade: o que aparece sob efeito da bebida muitas vezes revela o que já está mal elaborado emocionalmente. Ninguém deixa escapar algo que não existisse dentro de si.”

Um dos pontos mais debatidos nas redes foi o fato de Maike continuar com as investidas, mesmo após pedidos claros de Renata para que ele parasse. “Quando uma pessoa insiste mesmo após ouvir um “não”, ela invalida o parceiro. Isso revela uma falha na empatia e na escuta. Pode estar ligado à imaturidade emocional, necessidade de controle ou ao desejo de afirmar poder.”

Quais os sinais de um relacionamento abusivo?

A psicanalista detalha o que pode ser considerado um padrão tóxico e os sinais que indicam desequilíbrio: “Insistência diante de recusas, uso do toque como intimidação, dificuldade de expressar desconforto por medo da reação do outro, culpa ao se posicionar, sensação de estar pisando em ovos. Quando há sofrimento, a relação perdeu o equilíbrio emocional”.

“Muitas vezes a pessoa continua nesse tipo de relação por medo, carência ou dificuldade de reconhecer o próprio valor. É importante lembrar que um relacionamento abusivo destrói o amor-próprio”, diz a especialista.

O confinamento do BBB 25 pode amplificar o comportamento?

No BBB 25, o confinamento pode contribuir para comportamentos distorcidos, segundo a especialista: “O confinamento cria uma realidade paralela, com vínculos acelerados e emoções à flor da pele. A ausência de referências externas faz com que os participantes se apeguem e se confundam emocionalmente.”

“Isso pode gerar ciúmes, controle e idealizações. No caso do Maike, ele se comportou como se Renata e o corpo dela fossem uma posse, algo a ser usufruído conforme as próprias necessidades”, analisa a profissional.

Qual o impacto emocional desse comportamento em um reality?

Fabiana ainda alerta para os efeitos da exposição pública e da falta de acolhimento: “A pessoa que sofre uma abordagem invasiva pode sentir medo, culpa ou vergonha. E no reality, isso se agrava: não há para onde fugir. O impacto emocional é maior e, muitas vezes, o silêncio se torna mais uma forma de violência.”

Ela finaliza com um alerta importante: “Mesmo que a produção oriente o participante, o risco está no outro lado da tela. O público pode normalizar atitudes de posse e controle em uma relação afetiva. Precisamos falar sobre isso.”

Fabiana Guntovitch é psicóloga (CRP: 06/215789) e psicanalista, pós-graduada em Neurociência e Comportamento e apaixonada pela subjetividade do ser humano. Um de seus propósitos enquanto profissional é quebrar preconceitos acerca da saúde mental e ajudar pessoas a se relacionarem melhor consigo mesmas e com as pessoas que mais importam em suas vidas.